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Bruna Furlan de Nóbrega inicia congelamento de óvulos após diagnóstico de câncer de mama: entenda como funciona o processo de oncofertilidade


Relato chama atenção para estratégias reprodutivas antes do início do tratamento oncológico 

Diagnosticada com câncer de mama aos 24 anos, Bruna Furlan de Nóbrega, neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, tornou público um passo decisivo antes do início do tratamento oncológico: o congelamento de óvulos. Em relatos publicados nos stories do Instagram, ela explicou que a quimioterapia pode provocar menopausa precoce e que optou pela preservação da fertilidade como uma forma de manter a possibilidade de engravidar no futuro. “Para ter uma segurança no futuro, eu estou no processo do congelamento de óvulos”, comenta Bruna.
 

O tema ganha relevância em um cenário em que o câncer de mama permanece como um dos principais desafios de saúde pública do país. Dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicaram uma estimativa de 73.610 casos da doença no Brasil em 2025. Desde 2020, a proporção de diagnósticos entre pacientes com menos de 35 anos passou de 2% para 5%. Em nível global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 7% dos casos de câncer de mama ocorram em mulheres abaixo dos 40 anos
 

Oncofertilidade ganha espaço no cuidado oncológico
 

Nesse cenário, estratégias que conectam a oncologia à medicina reprodutiva passam a ocupar um papel fundamental no tratamento oncológico, preservando o potencial reprodutivo das pacientes. No Brasil, cerca de 19% dos novos casos da doença em mulheres ocorrem em pacientes de até 44 anos, e 21% até os 49 anos, período considerado fértil para aproximadamente 90% das mulheres. Entre 20 e 39 anos, alguns dos tumores mais incidentes são os de mama, colo do útero e ovário, todos com potencial impacto sobre a função ovariana e reprodutiva .
 

“O diagnóstico de câncer em mulheres jovens traz uma série de impactos que vão além do tratamento do tumor em si. A preservação da fertilidade precisa ser considerada como parte do cuidado integral, sempre que houver tempo e condições clínicas para isso”, explica Marcela Bonalumi, oncologista da Oncoclínicas.

Segundo a especialista, a discussão sobre o futuro reprodutivo de pacientes precisa fazer parte do cuidado desde o diagnóstico, especialmente em pacientes jovens. “É fundamental que essa conversa ocorra já no momento do diagnóstico. Muitos tratamentos oncológicos podem afetar a função ovariana, e o planejamento prévio amplia as possibilidades de escolha da paciente”, afirma.
 

Estratégias para preservação da fertilidade
 

Entre as estratégias disponíveis para assegurar a possibilidade de gravidez, a mais comum é o congelamento de óvulos, técnica que permite autonomia reprodutiva feminina ao eliminar a necessidade de um parceiro ou sêmen de doador. Há ainda a criopreservação de embriões, que consiste no congelamento de células em temperaturas extremamente baixas, em torno de 190 °C negativos, interrompendo a atividade metabólica e preservando sua viabilidade para uso futuro.
 

Apesar dos avanços, Bonalumi explica que um dos maiores desafios da oncofertilidade no Brasil é o acesso desigual às técnicas de reprodução assistida. “Na prática, o acesso a esses métodos ainda é um desafio para muitas pacientes. As técnicas de preservação da fertilidade não estão amplamente disponíveis na rede pública e, na rede privada, os custos podem ser uma barreira importante, especialmente quando o tratamento oncológico precisa ser iniciado em curto prazo”, aponta.
 

Fertilidade, acesso e qualidade de vida após o câncer

Além do impacto físico, o risco de infertilidade também traz consequências emocionais relevantes. A falta de informação ainda é uma das principais barreiras enfrentadas por mulheres jovens com câncer, muitas das quais acreditam, de forma equivocada, que a doença inviabiliza definitivamente a maternidade.

Ao tornar público o processo de congelamento de óvulos, Bruna Furlan de Nóbrega amplia o debate sobre a necessidade de que a fertilidade seja abordada antes, durante e após o tratamento oncológico. Incorporar essa discussão ao plano terapêutico faz parte de um cuidado mais humanizado. “Cuidar da fertilidade também é cuidar da qualidade de vida após o câncer. Informar, orientar e acolher essas mulheres faz parte de um tratamento mais humanizado e alinhado aos projetos de vida que continuam existindo mesmo diante da doença”, finaliza a oncologista.


Sobre a Oncoclínicas&Co
 

A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente. Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.

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