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Professores de inglês propõem formas divertidas de aprendizagem

Os projetos trazem o idioma para o dia a dia dos estudantes, com simulação de práticas reais, como dublagem e exibição de filmes

Foi durante o confinamento imposto pela pandemia de Covid que a professora de Língua Inglesa Ana Paola Matiasso Cruz, da Escola Técnica Estadual (Etec) Prefeito Braz Pascoalin, de Jandira, começou a alimentar a ideia de engajar os estudantes em aulas mais animadas. Em 2024 ela colocou parte de seu projeto em prática, mas foi em 2025, por dois bimestres consecutivos, que o projeto deslanchou.

As turmas da primeira à terceira série do Ensino Médio integrado ao técnico de Administração e Recursos Humanos puderam vivenciar a aprendizagem do idioma por meio de práticas comunicativas reais, criativas e culturalmente significativas, integrando leitura, escrita, oralidade e análise crítica, como descreve a docente.

Em um primeiro momento, os estudantes atuaram em quatro frentes: produção de videoclipes, dublagem de filmes e séries, simulação de cinema e feira de intercâmbio. Tudo em inglês, naturalmente. O nome do projeto, Morning Morning: Expanding Horizons – Learning With Fun, também se deveu ao período da pandemia, quando a professora tentava combater o eventual desânimo dos alunos chamando-os para o seu bom dia entusiasmado, um good morning que se tornou chamado: “morning, morning, morning”!

“A proposta dialogou com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e se articulou também com o Currículo Paulista e com as demandas curriculares de Administração e Recursos Humanos”, explica a professora. A comunidade escolar acompanhou de perto as performances – a simulação de cinema, por exemplo, reproduziu uma bilheteria, incluindo a venda de pipoca e, por fim, a exibição de um filme. Dez por cento do dinheiro arrecadado foi para a Associação de Pais e Mestres (APM) e o restante guardado para a formatura da turma.

Olimpíada

Na segunda parte do projeto, intitulado English Language Olympic, Ana Paola propôs uma imersão no idioma, passando para o estudante competências linguísticas específicas. Nessa etapa, os alunos trabalharam habilidades de interpretação, o que exige compreensão de texto e capacidade de deduzir significados e identificar cognatos (palavras semelhantes, com mesma origem etmológica), entre outros tópicos.

Autores de língua inglesa, oriundos de países colonizados, como a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e a indiana Kamala Das, fizeram parte da leitura crítica de textos, o que permitiu aos estudantes contextualizarem a leitura e identificarem fenômenos sociais, culturais e histórico-políticos.

“O ensino de inglês deixou de ser uma prática centrada apenas na memorização de estruturas linguísticas e passou a ser um espaço de criação”, pontua a docente. Todos os alunos participantes foram certificados e os primeiros lugares receberam medalhas. Assista a algumas passagens do projeto no Instagram https://www.instagram.com/p/DSTHLE8jvCp/

Composições próprias

Na Etec Prof. Basilides de Godoy, da Capital, uma ação semelhante acontece desde o segundo semestre de 2025, quando o estudante João Pedro Ferrais Pereira, da segunda série do Ensino Médio integrado ao Técnico em Mecatrônica, passou a incorporar suas composições, em inglês, às aulas de Língua Inglesa.

Conhecido artisticamente como Aeternus, ele foi convidado pelo professor da disciplina, Carlos Alexandre da Costa, a envolver os colegas com suas músicas no aprendizado do idioma. O uso das letras escritas por João Pedro vêm sendo uma prática frequente durante as aulas.

“A música ajuda no processo de ensino-aprendizagem de forma descontraída”, avalia o professor. “Muitas vezes, mesmo sem perceber, o aluno acaba aprendendo e se apropriando de palavras na língua inglesa que, de outra forma, poderiam passar despercebidas.”

A escrita e a fala

Carlos já adotava videoclipes para a prática da audição e da leitura no idioma inglês, mas acredita que o trabalho produzido por João Pedro faça toda a diferença. Ao tomar conhecimento do autor das músicas utilizadas em aula, os alunos se surpreendem. “São jovens da mesma idade percebendo que, se um colega desenvolveu a capacidade da escrita e da fala em inglês, a aquisição de uma segunda língua é acessível a todos”, pontua.

João Pedro compõe desde os quinze anos e chegou a fazer aulas de violino a partir dos oito. “A experiência em classe é muito legal”, diz, “Ainda que o fato de tocar as minhas próprias músicas em uma sala cheia seja um pouco apavorante, ao receber feedbacks positivos, fiquei muito feliz.”

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