Quando a pele avisa: uma mancha branca pode ser um sinal de alerta
Por Dra. Simone Neri – Médica Dermatologista
A pele é o maior órgão do corpo humano e, muitas vezes, é ela quem dá os primeiros sinais de que algo não vai bem. Entre tantas alterações cutâneas aparentemente simples, existe uma que merece atenção especial: a mancha branca que não coça, não dói e perde a sensibilidade.
Em alguns casos, esse pode ser um dos primeiros sinais da hanseníase, uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que ainda está presente no Brasil e que, quando diagnosticada precocemente, tem cura e não deixa sequelas.
O que acontece na pele?
A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, uma bactéria que tem afinidade especial pela pele e pelos nervos periféricos. Por isso, suas manifestações iniciais costumam ser principalmente cutâneas e neurológicas.
Na pele, o sinal mais comum é o surgimento de:
- Manchas claras, esbranquiçadas ou avermelhadas
- Áreas que não coçam e não doem
- Locais onde a pessoa percebe diminuição ou perda da sensibilidade ao toque, ao calor ou ao frio
Essas manchas podem surgir em qualquer parte do corpo e, muitas vezes, passam despercebidas ou são confundidas com micoses, alergias ou outras doenças de pele.
Por que a mancha branca é tão importante?
Na hanseníase, a mancha não é apenas uma alteração da cor da pele. Ela pode indicar que o nervo que passa naquela região está sendo comprometido pela ação do Mycobacterium leprae.
Sem tratamento, essa agressão aos nervos pode evoluir para:
- Dormência persistente
- Formigamento
- Perda de força em mãos ou pés
- Dificuldade para segurar objetos
- Ferimentos que não doem e passam despercebidos
Essas complicações são evitáveis quando o diagnóstico é feito cedo.
Nem toda mancha branca é hanseníase — mas toda mancha precisa de atenção
Nem toda mancha branca na pele significa hanseníase. Existem diversas condições benignas que causam clareamento da pele.
No entanto, manchas persistentes associadas à alteração de sensibilidade precisam ser avaliadas por um médico, preferencialmente um dermatologista, que é o profissional capacitado para diferenciar as doenças de pele e orientar o diagnóstico correto.
A hanseníase tem cura
A hanseníase tem cura, e o tratamento elimina o Mycobacterium leprae do organismo. Ele é feito com medicamentos eficazes e gratuitos pelo SUS. Após o início do tratamento, a pessoa não transmite mais a doença.
O principal risco não está na bactéria em si, mas no diagnóstico tardio, que permite a progressão do dano neurológico.
Ouvir a pele é um gesto de cuidado
A pele fala. Ela avisa antes que problemas maiores se instalem. Observar o próprio corpo e valorizar pequenas mudanças é uma forma de cuidado com a saúde.
Se você notar uma mancha branca que não dói, não coça e tem sensibilidade diferente, não ignore.
Pode ser algo simples — ou pode ser um sinal de alerta vindo da sua pele.
Sob a pele, a atenção faz toda a diferença.
