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Mel bioativo: um aliado antigo com potencial moderno contra bactérias

Por – Dra. Simone Neri

Você já ouviu falar que o mel pode matar bactérias? Essa propriedade tradicional, usada há milênios em curativos e remédios populares, está sendo validada pela ciência moderna — inclusive por pesquisas brasileiras.

O mel é muito mais do que um adoçante. Ele é uma matriz complexa de açúcares, ácidos, enzimas e compostos bioativos naturais, que juntos criam um ambiente hostil para microrganismos. Entre seus mecanismos de ação estão a alta concentração de açúcar — que “suga” a água que bactérias precisam para sobreviver — e a formação de peróxido de hidrogênio, um agente naturalmente bactericida.

Pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em parceria com universidades brasileiras, analisaram méis produzidos a partir de flores de açaí e encontraram altos teores de compostos antioxidantes e antibacterianos. Esses compostos mostram efeitos promissores contra bactérias em testes laboratoriais, abrindo portas para aplicações futuras como agentes antimicrobianos naturais ou complementares.

Outro campo de estudo fascinante envolve o mel de abelhas sem ferrão — muito comum em nossa biodiversidade amazônica. Estudos recentes demonstraram que esse tipo de mel possui forte atividade antimicrobiana in vitro, inclusive contra bactérias difíceis, sugerindo que substâncias naturais podem ampliar nosso arsenal contra infecções bacterianas.

Na dermatologia, sabemos que infecções de pele — especialmente em feridas crônicas — são um desafio clínico real. O uso de mel terapêutico – como mel de Manuka, já utilizado em curativos medicinais em alguns países – tem mostrado efeitos positivos em acelerar cicatrização e reduzir carga bacteriana sem antibióticos convencionais. Estudos brasileiros e internacionais apoiam a ideia de que extratos de mel, ricos em compostos bioativos, podem um dia ser incorporados a cremes ou géis para uso tópico.

Conclusão: Ainda que mais pesquisa clínica seja necessária para transformar essas descobertas em tratamentos prontos para o consultório, os avanços científicos reafirmam algo que a humanidade já suspeitava: o mel é um produto natural com um extraordinário potencial bactericida e terapêutico.

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