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Saúde para Todos: quando defender os animais é defender a humanidade

Estive presente, neste fim de semana, na manifestação por justiça no caso do cãozinho Orelha, em São Paulo. Estive ali não apenas como cidadã, mas como médica, como presidente do Instituto Casa Neri e, sobretudo, como alguém que acredita que cuidar da vida é um compromisso que não pode ser seletivo.

O assassinato do cão Orelha, ocorrido no início do mês de janeiro, no estado de Santa Catarina, por um grupo de jovens, chocou o país e expôs uma violência que não pode ser relativizada. Não se trata apenas de um crime contra um animal indefeso. Trata-se de um alerta profundo sobre quem estamos nos tornando como sociedade.

Enquanto médica, aprendi que saúde não é apenas ausência de doença. Saúde é ambiente seguro, é empatia, é respeito, é valor à vida. Por isso, a causa animal me atravessa diretamente. Ela fala sobre humanidade, sobre a forma como educamos nossos jovens, sobre os limites éticos que estamos permitindo que sejam rompidos e sobre a urgência de leis e de uma justiça que realmente protejam os mais vulneráveis.

Na manifestação, encontrei pessoas de diferentes cidades, histórias e crenças, todas unidas por um mesmo sentimento: indignação diante da crueldade e a certeza de que não podemos mais nos calar. Pessoas do Brasil e do mundo também se manifestaram pelas redes sociais, mostrando que esse não é um clamor isolado, mas um movimento global de consciência.

Como presidente do Instituto Casa Neri, que atua levando saúde e dignidade às populações mais vulneráveis do município de Osasco, sei que a violência — em qualquer forma — adoece a sociedade. Não existe saúde coletiva onde a crueldade é banalizada. Proteger a vida, toda vida, é um pilar fundamental para um futuro mais justo.

Também esteve presente o vereador Alexandre Capriotti, acompanhado de sua equipe, somando apoio à causa animal, uma pauta que precisa do envolvimento do poder público, mas, acima de tudo, do engajamento da sociedade como um todo.

Nós, enquanto pessoas de bem, profissionais da saúde e cidadãos comprometidos com a vida, precisamos dizer com clareza: exigimos justiça. Justiça que eduque, que previna, que transforme. Justiça que não permita que atrocidades como essa se repitam.

Que o caso do cãozinho Orelha não seja esquecido. Que ele nos desperte para repensar valores, escolhas e caminhos. Porque, no fim, a verdade é simples e inegociável: qualquer vida importa.

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