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Sessão solene em Osasco debate combate ao feminicídio e destaca papel da educação

A Câmara Municipal de Osasco realizou, na noite de quarta-feira (4), uma Sessão Solene em alusão à Semana Municipal de Combate ao Feminicídio. O encontro, promovido pela Procuradoria Especial da Mulher, reuniu autoridades, especialistas e parlamentares para discutir caminhos de enfrentamento à violência contra a mulher.

A procuradora especial da Mulher e vereadora Elsa Oliveira presidiu a solenidade e destacou os desafios no combate à violência de gênero.

“Muitas vezes a gente se sente impotente por não ter autonomia para acabar de vez com a violência contra as mulheres”, afirmou.

Compuseram a mesa diretora as vereadoras Lúcia da Saúde e Stephane Rossi, ambas de Osasco, a vereadora Ana Carolina de Oliveira, da cidade de São Paulo, e Vilma Barbosa da Silva, 2ª procuradora adjunta da Procuradoria Especial da Mulher.


Feminicídio em debate

Durante os discursos, os participantes ressaltaram o aumento dos casos de feminicídio no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registrou 1.568 vítimas em 2025, média de 4,9 assassinatos por dia.

Primeira a falar na tribuna, a vereadora Ana Carolina de Oliveira — mãe de Isabela Nardoni, assassinada em 2008 — destacou a necessidade de ampliar o debate e identificar falhas na aplicação das políticas de proteção às mulheres.

“O que não falta em nosso país são leis. Temos medidas protetivas e estruturas de segurança. Mas há uma falha sistêmica. Precisamos entender quais brechas permitem que esses crimes continuem acontecendo”, afirmou.


Atendimento e proteção às vítimas

A comandante Teles, da Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal de Osasco, explicou que o número de mulheres acompanhadas pelo programa aumentou desde sua implantação, em 2021, passando de cerca de 20 para 130 atendimentos.

Segundo ela, ferramentas como botão do pânico, atendimento por WhatsApp e rondas preventivas têm contribuído para ampliar a proteção das vítimas.

Já a delegada Juliana Arduíno, da Delegacia de Defesa da Mulher de Osasco, destacou que a alta demanda ainda é um desafio e defendeu a educação como ferramenta fundamental na prevenção da violência.


Educação e conscientização

A psicóloga social Paula Schneider, da Associação Fala Mulher, apresentou o trabalho da instituição e ressaltou a importância dos espaços de acolhimento e orientação para mulheres vítimas de violência.

As vereadoras Lúcia da Saúde e Stephane Rossi também defenderam ampliar o debate nas escolas. Stephane citou uma iniciativa de distribuição de gibis educativos voltados à conscientização sobre violência doméstica na rede municipal de ensino.

O vereador Heber do JuntOZ ressaltou a importância da participação dos homens nas ações de enfrentamento à violência contra a mulher e apontou desafios no fluxo de atendimento dos serviços públicos.

Entre as propostas discutidas durante o encontro estão o fortalecimento da educação de base, ampliação das políticas públicas, incentivo às denúncias e integração entre forças de segurança.

A sessão também contou com apresentação musical do Instituto Hatus.

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