Por – Dra Simone Neri
Receber o diagnóstico de câncer de pele costuma despertar medo e insegurança. Felizmente, a medicina evoluiu de forma extraordinária nas últimas décadas, permitindo tratamentos cada vez mais eficazes, seguros e capazes de preservar não apenas a saúde, mas também a aparência e a funcionalidade das áreas acometidas.
Entre esses avanços, destaca-se a Cirurgia Micrográfica de Mohs, considerada atualmente uma das técnicas mais precisas para o tratamento de determinados cânceres de pele, especialmente os carcinomas basocelulares e espinocelulares de maior risco. Trata-se de um procedimento desenvolvido para oferecer o máximo controle da remoção tumoral com a maior preservação possível dos tecidos saudáveis.
Mas o que torna essa técnica tão especial?
Diferentemente da cirurgia convencional, a Cirurgia Micrográfica de Mohs permite a análise das margens do tumor durante o próprio procedimento. Após a retirada de uma fina camada de tecido, o material é processado e examinado microscopicamente por uma equipe especializada, envolvendo o cirurgião e o médico patologista treinado para a técnica. Caso ainda sejam identificadas células tumorais, apenas a área comprometida é novamente removida, preservando ao máximo a pele saudável ao redor.
Costumo explicar aos pacientes que alguns cânceres de pele se comportam como raízes invisíveis sob a superfície. Muitas vezes, a lesão que enxergamos é apenas a parte aparente de um tumor que pode se estender microscopicamente além dos limites visíveis. A cirurgia micrográfica permite rastrear essas extensões com precisão, oferecendo um tratamento extremamente cuidadoso e seguro.
Essa precisão faz enorme diferença em regiões nobres da face, como nariz, pálpebras, lábios e orelhas. Nesses locais, cada milímetro de tecido preservado é valioso para manter a função e proporcionar os melhores resultados reconstrutivos e estéticos possíveis.
Durante minha pós-graduação em Oncologia Cutânea no Hospital Sírio-Libanês, tive a oportunidade de conhecer mais profundamente essa técnica e acompanhar sua importância no manejo dos pacientes com câncer de pele. Foi uma experiência que ampliou minha compreensão sobre a complexidade do tratamento oncológico cutâneo e reforçou a importância de indicar cada paciente para a abordagem mais adequada ao seu caso.
Embora nem todos os tumores necessitem da cirurgia micrográfica, existem situações em que ela representa a melhor opção terapêutica, especialmente nos casos de tumores mais agressivos, recorrentes ou localizados em áreas de grande relevância funcional e estética.
Ao longo da minha trajetória como dermatologista, aprendi que tratar o câncer de pele vai muito além de remover uma lesão. É cuidar da pessoa que está por trás do diagnóstico, oferecendo segurança, acolhimento e acesso às melhores alternativas disponíveis.
A Cirurgia Micrográfica de Mohs representa exatamente essa união entre ciência, tecnologia e cuidado humano. Uma técnica sofisticada, construída sobre décadas de pesquisa e aperfeiçoamento, que tem transformado a forma como enfrentamos o câncer de pele.
Porque, quando falamos de oncologia cutânea, cada detalhe importa. E cada paciente também.
