Todos os anos, milhares de brasileiros veem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a oportunidade de ingressar no ensino superior, mudar de carreira ou retomar projetos profissionais que ficaram pelo caminho. Para quem concluiu os estudos há muitos anos, porém, voltar à rotina de aprendizado pode parecer um grande desafio.
Segundo especialistas em educação, a experiência de vida acumulada ao longo dos anos pode se transformar em uma vantagem importante durante a preparação. Com planejamento, organização e estratégias adequadas, é possível recuperar conteúdos, desenvolver habilidades e conquistar um bom desempenho na prova.
Faça um diagnóstico antes de começar
O primeiro passo para quem está retornando aos estudos é entender quais conteúdos precisam de mais atenção. A recomendação é resolver provas anteriores e realizar simulados do Enem.
De acordo com Alessandra Delegá, coordenadora do Ensino Médio do Colégio Progresso Bilíngue, essa prática ajuda a identificar lacunas de aprendizagem e compreender melhor o formato da avaliação.
A redação também merece atenção especial. Muitas vezes, o candidato domina determinados conteúdos, mas encontra dificuldades para organizar argumentos e estruturar um texto dissertativo-argumentativo, competência fundamental para obter uma boa nota.
Monte um plano de estudos realista
Depois de identificar os pontos que precisam ser reforçados, é hora de organizar uma rotina compatível com o dia a dia.
Para Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School (BIS), a constância é mais importante do que a quantidade de horas estudadas.
O ideal é criar um cronograma que distribua as disciplinas ao longo da semana, alternando áreas do conhecimento para tornar os estudos mais dinâmicos e evitar a fadiga mental.
Também vale utilizar diferentes recursos, como livros, videoaulas, aplicativos, podcasts educativos e plataformas de exercícios. A variedade ajuda a manter o interesse e melhora o aprendizado.
Acompanhe os temas da atualidade
Além do conteúdo tradicional, o Enem valoriza a capacidade de relacionar conhecimentos acadêmicos com situações reais.
Por isso, acompanhar notícias, reportagens, documentários e conteúdos produzidos por fontes confiáveis pode fazer toda a diferença.
Temas como mudanças climáticas, inteligência artificial, inclusão social, saúde pública, sustentabilidade, conflitos internacionais e transformações no mercado de trabalho costumam aparecer tanto nas questões objetivas quanto na redação.
Segundo Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, estar bem informado amplia o repertório sociocultural e fortalece a capacidade de interpretação e argumentação.
Cuide da saúde emocional
Para os especialistas, tão importante quanto estudar é manter o equilíbrio emocional.
Quem retorna aos estudos na vida adulta geralmente precisa conciliar preparação, trabalho, família e outras responsabilidades. Por isso, é fundamental evitar a sobrecarga.
A prática de atividades físicas, o sono de qualidade e momentos de lazer contribuem diretamente para a concentração, a memória e o desempenho acadêmico.
“O cérebro aprende melhor quando existe equilíbrio. Descanso, sono adequado e atividades prazerosas fazem parte da estratégia para estudar melhor”, destaca o psicólogo e coordenador pedagógico Paulo Rogério Rodrigues, da Escola Bilíngue Aubrick.
Persistência faz a diferença
Especialistas reforçam que o Enem não exige perfeição, mas preparação consistente. Com planejamento, metas realistas e dedicação contínua, candidatos que estão há muitos anos fora da escola podem competir em igualdade de condições e alcançar excelentes resultados.
O segredo está em transformar o retorno aos estudos em um hábito sustentável, respeitando os próprios limites e avançando um passo de cada vez.
