Por – Dra. Simone Neri
Confesso que fiquei encantada ao acompanhar a repercussão do procedimento realizado recentemente no jogador Vinícius Júnior. Em meio a tantos comentários nas redes sociais, o que mais me chamou a atenção não foi simplesmente um preenchimento no queixo. Foi o conceito por trás dele.
Vi um rosto que continuou sendo o mesmo. Apenas mais equilibrado.
E, para mim, é exatamente isso que representa a verdadeira medicina estética.
O dermatologista Dr. Alessandro Alarcão mostrou que um pequeno ajuste, realizado com conhecimento técnico, respeito às proporções faciais e profundo entendimento da anatomia humana, pode produzir um resultado elegante, natural e praticamente imperceptível. As pessoas olham e pensam: “Como ele está bem”. Não conseguem identificar exatamente o que foi feito. Esse, para mim, é o maior elogio que um médico pode receber. (gshow)
Infelizmente, vivemos uma época em que o preenchimento facial passou a ser confundido com excesso. Rostos perderam identidade. Expressões desapareceram. A individualidade foi substituída por um padrão artificial que, muitas vezes, não respeita nem a anatomia, nem a personalidade do paciente.
É justamente por isso que sempre digo aos meus pacientes: o ácido hialurônico não é o protagonista. O protagonista é você.
Há mais de trinta anos exerço a Dermatologia e dedico boa parte da minha atuação à Cosmiatria. Ao longo dessa caminhada aprendi que existe uma verdadeira matemática da beleza. Não se trata apenas de aplicar um produto, mas de compreender ângulos, projeções, volumes, luz, sombra, simetria e, principalmente, harmonia. A ciência já demonstrou que determinadas proporções faciais são percebidas pelo cérebro humano como mais equilibradas e agradáveis. Mas essas medidas nunca devem apagar aquilo que torna cada pessoa única.
É aí que a medicina encontra a arte.
Cada rosto conta uma história diferente. Cada paciente envelhece de uma maneira. Cada estrutura óssea, cada musculatura e cada expectativa exigem um planejamento individualizado. Não existe uma receita pronta. Existe estudo, experiência, sensibilidade e responsabilidade.
Quando realizo um preenchimento facial, meu objetivo nunca é transformar alguém em outra pessoa. Quero apenas devolver aquilo que o tempo levou, corrigir pequenas desproporções quando necessário e valorizar a beleza que já existe.
A boa medicina estética não cria rostos novos.
Ela revela versões mais descansadas, mais leves e mais confiantes da mesma pessoa.
Talvez seja por isso que gostei tanto do resultado que vimos nesta semana. Ele nos lembra que a beleza não precisa gritar para ser percebida.
Ela apenas precisa estar em equilíbrio.
E, na minha opinião, esse é o futuro da Dermatologia estética: menos exagero, mais ciência; menos excesso, mais identidade; menos transformação, mais naturalidade.
Porque a melhor versão de você nunca será outra pessoa.
Será sempre você mesmo.
