Por – Dra. Simone Neri
A primavera é lembrada pelas flores, pelas cores e pelos dias mais agradáveis. Mas, para muitas pessoas, a chegada da estação também representa aumento da coceira, vermelhidão, ressecamento e irritação da pele.
Isso acontece porque a mudança de temperatura, a maior presença de pólen no ambiente, o contato com plantas, o aumento dos insetos e a exposição mais frequente ao calor e ao suor podem desencadear ou agravar algumas doenças alérgicas.
É importante esclarecer que a primavera, por si só, não provoca alergia em todas as pessoas. Os sintomas aparecem principalmente naquelas que já apresentam alguma predisposição, como pacientes com dermatite atópica, rinite, asma, urticária ou sensibilidade a determinadas substâncias.
A dermatite atópica é uma das doenças que podem piorar nesse período. Trata-se de uma condição inflamatória crônica da pele, caracterizada por ressecamento intenso, coceira e lesões avermelhadas. O calor, a transpiração, o contato com tecidos sintéticos, a poeira e os alérgenos presentes no ambiente podem contribuir para novas crises.
Nas crianças, as lesões costumam aparecer com frequência nas dobras dos braços e atrás dos joelhos, além do rosto e do pescoço. Nos adultos, também podem atingir mãos, pálpebras e outras regiões do corpo. Coçar repetidamente machuca a pele, favorece infecções e alimenta um ciclo de inflamação e coceira.
A urticária também merece atenção. Ela se manifesta por elevações avermelhadas ou da cor da pele, geralmente acompanhadas de coceira intensa. As lesões podem mudar de lugar e desaparecer em poucas horas, enquanto outras surgem em diferentes regiões. Calor, suor, exercício, exposição solar, plantas, picadas de insetos e alguns alérgenos podem funcionar como desencadeantes.
Entretanto, nem toda urticária é causada por uma alergia identificável. Nos casos recorrentes, especialmente quando os sintomas persistem por mais de seis semanas, é necessária uma avaliação médica cuidadosa para investigar sua classificação e indicar o tratamento adequado.
Outro problema comum é a dermatite de contato. Na primavera, aumenta a exposição a plantas, flores, grama, produtos de jardinagem, repelentes, perfumes e cosméticos. O contato com determinadas substâncias pode provocar vermelhidão, ardência, coceira e até pequenas bolhas.
Também devemos lembrar das reações provocadas pelo contato de algumas plantas ou frutas cítricas com a pele seguido de exposição ao sol. Limão, figo, arruda e outras substâncias vegetais podem causar queimaduras e manchas. Essa reação, chamada fitofotodermatite, não é propriamente uma alergia, mas pode ser confundida com uma.
As picadas de insetos tornam-se mais frequentes nos períodos quentes. Algumas pessoas apresentam apenas uma pequena reação local, enquanto outras desenvolvem inchaço acentuado, vermelhidão e coceira persistente. Evitar coçar é fundamental, pois a manipulação pode provocar feridas e infecção bacteriana.
Alguns cuidados simples ajudam a proteger a pele durante a primavera:
- Mantenha a hidratação diária da pele, especialmente após o banho.
- Prefira banhos rápidos e mornos, evitando água muito quente.
- Utilize sabonetes suaves e em pequena quantidade.
- Dê preferência a roupas leves e de algodão.
- Troque roupas suadas assim que possível.
- Lave o rosto e as áreas expostas após atividades ao ar livre.
- Evite perfumes, cremes e produtos novos quando a pele estiver irritada.
- Use repelente e protetor solar adequados para sua faixa etária e seu tipo de pele.
- Não utilize pomadas com corticoide ou medicamentos antialérgicos por conta própria.
O tratamento depende do diagnóstico. Lesões parecidas podem ter causas muito diferentes, como alergias, infecções, doenças inflamatórias ou reações provocadas pelo sol. Por isso, tentar tratar todas as coceiras com a mesma pomada pode mascarar o problema e até piorar algumas doenças.
É necessário procurar atendimento médico quando as lesões forem extensas, persistentes, acompanhadas de dor, secreção, febre ou inchaço importante. Dificuldade para respirar e inchaço da língua, dos lábios ou da garganta são sinais de emergência e exigem atendimento imediato.
A primavera pode e deve ser aproveitada. Para quem convive com alergias, informação, prevenção e acompanhamento adequado permitem viver a estação com mais conforto e segurança.
Cuidar da pele também é aprender a reconhecer o que ela está tentando nos dizer.
Dra. Simone Neri
Médica – CRM-SP 80.919
Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia
Coluna Sob a Pele
