Especialistas exigem ações imediatas de Osasco na luta para preservar meio ambiente

A Comissão Permanente de Política Urbana, Meio Ambiente e Defesa dos Direitos do Consumidor de Serviços Públicos Municipais realizou, na noite desta quarta-feira (01), uma Audiência Pública dedicada às discussões sobre o Meio Ambiente e que reuniu especialistas que buscam soluções para promover a preservação do ecossistema em Osasco, no Plenário Tiradentes.

Há exatos 50 anos, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia 5 de junho como dia Mundial do Meio Ambiente. Em Osasco, desde 1999 a primeira semana do mês de junho é dedicada à celebração da “SEMANA DO MEIO AMBIENTE”. Uma semana com muitos eventos que visam definir políticas públicas que promovem a preservação da biodiversidade.

Cada um dos palestrantes teve 20 minutos para apresentar seu trabalho e propor soluções para colocar Osasco em uma situação mais favorável à preservação da natureza. A primeira especialista a usar a tribuna foi Paulina Arce, bióloga, assessora na Secretaria do Meio Ambiente, responsável pelo Borboletário de Osasco, reconhecido em todo o país, e Mestre em Gestão Ambiental e Sustentabilidade.

Ela falou sobre a importância da preservação e valorização da biodiversidade em Osasco e comentou que Osasco tem espécies consideradas em processo de extinção circulando em alguns espaços da cidade. “Existem mais de 50 milhões de seres vivos no mundo e nos conhecemos apenas 40% deles. Infelizmente estamos passando por processos de extinção em massa de muitos seres por conta da forma como o humano vive. A ação de jogar um papel de bala no chão em um parque contribuiu para o desequilíbrio da biodiversidade”, lamentou Paulina ao esclarecer que biodiversidade só pode ser mantida com a presença e responsabilidade de todos.

Para elevar Osasco para um novo patamar no que diz respeito à preservação da biodiversidade do ecossistema, a Ordem dos Advogados do Brasil, através da Comissão de Meio Ambiente, foi representada por Ana Célia Alves, que apresentou dados preocupantes da relação de Osasco com o Meio Ambiente. “Já apresentamos para o prefeito nossas reflexões sobre o meio ambiente. A cobertura de áreas verdes aqui é a segunda pior do Estado de São Paulo, são apenas 2,86% de cobertura vegetal por habitante, enquanto a ONU determina que seja no mínimo 12% por habitante” aponta Ana Célia que aproveitou para solicitar que os interessados e o município façam a adesão à Virada Verde Osasco que é um manifesto proposto pela OAB para incluir no Plano Diretor de Osasco, a proteção e recomposição do meio ambiente e da cobertura vegetal no Município. Ana Célia falou também sobre a preocupação da OAB com a relação da cidade com a política nacional de resíduos sólidos. “Precisamos de uma virada verde no município e de forma urgente, inclusive através de uma nova politica de reciclagem”, comentou Ana Célia.

Diretor geral de gestão de resíduos, Oscar Buturi, falou sobre as políticas públicas desenvolvidas na cidade, fez o mea-culpa e explicou que a administração está reunindo esforços para colocar Osasco em um novo nível de preservação ambiental.

“Estamos trabalhando para aperfeiçoar e melhorar a coleta seletiva na cidade. As principais estruturas são as cooperativas de reciclagem e está no planejamento a construção de mais 20 Ecopontos”, comentou Buturi ao apresentar a nova estratégia de coleta seletiva na cidade que deve entrar em vigor em 30 dias.

“O município está planejando uma estratégia especifica de coleta seletiva para condomínios que são grandes ilhas verticais na cidade. O objetivo é começar pelos condomínio com maior concentração de pessoas e promovermos a ampliação para todos os pontos da cidade”, disse Buturi.

Além da preocupação com a politica de reciclagem, o município tem outra questão na pauta dos problemas ambientais a serem resolvidos, os recursos hídricos. Felipe Carvalho Rocha, gerente de Recursos Hídricos, afirma que os dados relativos ao uso da água são preocupantes. “Segundo indicadores da ONU os índices de poluição pioram ainda mais a situação do abastecimento e o déficit hídrico global será de 40% até 2030”, afirmou Rocha. Ainda segundo o gerente, atualmente a água disponível para o consumo está dividida em 69% sendo usada na agricultura, 19% na Indústria e 12% para uso doméstico. “A degradação dos ecossistemas aceleram a destruição da biodiversidade, provocando desequilibro que afetam agressivamente todo o planeta”, declara.

Para o diretor do Instituto Internacional de Pesquisa e Responsabilidade Socioambiental Chico Mendes, de Quatro Barras/Paraná, Clodoaldo Soares, uma das soluções para garantir a recuperação e a preservação do Meio Ambiente é investir em educação. “Devemos apostar na educação das crianças, nas escolas de ensino infantil e fundamental. As escolas estão em todo o território, crianças são multiplicadoras”, comentou.

Educação, preservação e união, essa é a solução apresentada pelo Movimento Ecoz. Um coletivo criado em 2020 para entregar cestas de alimentos frescos e sem veneno para as pessoas, valorizando a biodiversidade, agroecologia, a economia local, saúde e segurança alimentar. “Se a sociedade civil precisa tomar a frente para fortalecer a agricultura urbana é porque faltam politicas públicas para esse segmento, Nos atendemos 40 familias, e muito pouco diante de toda a situação atual. A gente, como sociedade, não pode manter as pessoas em situação de pobreza. Apostamos em uma rede que una produtores, consumidores e voluntários”, disse Carol Seixas.

Diretor do Departamento de Economia Solidária e Criativa, José Rodrigues de Oliveira Neto, concorda com Carol rem relação ao combate da pobreza também através de incentivos aos produtores urbanos, mas aponta que o orçamento destinado à economia solidária é muito pouco. “Precisamos ter um olhar mais eficaz para pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Sabemos que uma horta urbana significa muitas coisas, que vão além da alimentação, também significa preservação”, comentou Jr.

O município tem 16 hortas comunitárias e segundo Jr, o objetivo é terminar 2022 com 20 hortas e promover um programa de recuperação de áreas degradadas, transformando-as em hortas urbanas.

No final da Audiência, Juliana da Ativoz alertou para a necessidade de políticas públicas eficazes e urgentes. “É bom lembrar que nós só temos essa terra, não existe o fora dela para nós. Precisamos discutir mais sobre a crise climática e a crise hídrica, porque estamos num processo de extinção da população”, lamentou a parlamentar.

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