Audiência Pública na Câmara de Osasco debate aumento dos casos de feminicídio

Evento trouxe depoimentos de familiares e vítimas de violência doméstica

A Comissão da Criança, do Adolescente, da Juventude e da Mulher da Câmara Municipal de Osasco realizou, na noite desta segunda-feira (30), Audiência Pública para discutir o aumento dos casos de feminicídio no município. O encontro reuniu vereadores, representantes de movimentos sociais, instituições e familiares de vítimas, que compartilharam relatos emocionantes e cobraram políticas públicas mais incisivas.

O vereador Batista Comunidade (Avante) presidiu os trabalhos e foi secretariado pelo vereador Heber do JuntOZ (PT). Os dois integram a Comissão, que também é formada pelos parlamentares Elsa Oliveira (Podemos), presidente; Stephane Rossi (PL), relatora); Elânia Silva (PSD); e Alexandre Capriotti (PL).

Na abertura dos trabalhos, Batista pediu um minuto de silêncio em memória das mulheres vítimas de feminicídio. Em seguida, o parlamentar trouxe dois vídeos de reflexão sobre o tema. “Nenhuma mulher deveria morrer porque decidiu ser livre” e “O silêncio também mata e a omissão fortalece a violência” foram algumas das frases de impacto mostradas. 

Os depoimentos de pessoas atingidas pela violência emocionaram o público. Eliane Almeida foi às lágrimas ao recordar o assassinato da filha, Amanda Caroline Ribeiro – morta em abril de 2025 pelo ex-marido e jogada nas águas do Rio Tietê, em Osasco. “A Amanda foi retirada da vida com muita brutalidade e crueldade, por não aceitar a separação. Quantas crianças vão ficar sem mães? Temos que começar a ensinar na escola o respeito às mulheres”, disse, emocionada.

Gilmara relatou o sofrimento de 12 anos de agressões físicas e psicológicas do ex-marido, que lhe renderam costelas quebradas e problemas de locomoção. “Ele me deu 12 pauladas quando eu estava com meu filho no colo e quebrou a loja onde eu trabalhava”, contou. Ela reivindica acolhimento às vítimas que sobrevivem “Quem fica também leva um trauma muito grande”, acrescentou. 

Reivindicações e soluções

Representantes de movimentos sociais, como Amanda Ferreira, do coletivo Vozes que Não se Calam, denunciaram a precariedade da rede de proteção: “Osasco não tem delegacia da mulher 24 horas. O feminicídio é o estágio final de uma violência que começa no psicológico e patrimonial. O poder público precisa agir”, afirmou.

Presidente do Projeto Social Luva Rosa, Janaina de Castro reforçou a necessidade de políticas públicas incisivas, especialmente nos bairros da Zona Norte de Osasco. “Precisamos de práticas firmes e acompanhamento das vítimas”, pontuou.

Deise Moreira, da Associação Da Ponte Pra Cá, falou sobre as iniciativas educacionais em favor da comunidade. “O olhar que nós temos é de levar informação, não normalizar o machismo, que é romantizado em forma de falas agressivas, contra nós que somos mulheres”, explicou. A Ong realiza trabalho de suporte psicológico às vítimas de violência doméstica.

Para o vereador Alexandre Capriotti, o enfrentamento exige mudança cultural. “Nenhuma lei será suficiente se não houver transformação de mentalidade. É preciso ensinar desde cedo que respeito não é favor, é dever”.

Heber do JuntOZ lembrou que a execução das políticas cabe ao Executivo e anunciou nova Audiência Pública para o próximo dia 27 de abril, às 18h. O encontro debaterá a necessidade de funcionamento 24 horas da Delegacia da Mulher de Osasco.

Questionamentos

A audiência foi aberta para questionamentos do público, que participou tanto presencialmente como online. Os munícipes Natan Marcelo e Daniele perguntaram sobre a implantação de mais delegacias da mulher na cidade e rede de proteção contra a violência doméstica. 

Janaína de Castro respondeu que o município tem equipamentos que podem ser usados para enfrentamento à violência, como o botão do pânico e os dois Centros de Referência em Assistência Social (CRAS). “Hoje o que a gente precisa é um centro de atendimento 24 horas. O botão do pânico é válido, mas não é de livre acesso”, justificou.

Ao final do encontro, Batista Comunidade defendeu a união de forças entre sociedade civil e poder público para garantir políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. “Algumas coisas que não funcionam precisam funcionar. É questão de empatia e de unir forças para entregar o melhor à população”, concluiu.

Como forma de recordar as vítimas de feminicídio, houve entrega de rosas brancas aos familiares de sete mulheres assassinadas em Osasco.

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