Queda de cabelo no outono: o que é normal e quando se preocupar?
Por – Dra. Simone Neri
Com a chegada do outono, uma queixa começa a se repetir nos consultórios: “meu cabelo está caindo mais do que o normal”.
E, de fato, essa percepção não é apenas impressão.
Assim como as folhas caem das árvores nessa época do ano, os fios de cabelo também podem entrar em um ciclo natural de renovação. Esse processo é conhecido como Eflúvio telógeno, uma condição comum em que um número maior de fios entra na fase de queda ao mesmo tempo.
Mas é importante entender: isso não significa, necessariamente, doença.
O cabelo passa por ciclos. Há momentos de crescimento, de estabilidade e de queda. Durante o outono, fatores como mudanças climáticas, variações hormonais e até o impacto do verão — com maior exposição ao sol, ao sal e ao cloro — podem influenciar esse equilíbrio.

Na maioria dos casos, essa queda é temporária. Perder entre 100 e 150 fios por dia pode ser considerado normal, e um aumento discreto nesse número durante algumas semanas não costuma ser motivo de preocupação.
O problema começa quando essa queda se prolonga ou se intensifica.
Sinais como falhas visíveis no couro cabeludo, afinamento progressivo dos fios ou queda que dura mais de dois a três meses merecem atenção. Nesses casos, o cabelo pode estar sinalizando outras condições, como anemia, alterações hormonais, estresse intenso ou até consequências tardias de infecções, como vimos com frequência após a pandemia.
Outro ponto importante é evitar soluções rápidas e promessas milagrosas. O uso indiscriminado de tônicos, vitaminas ou produtos sem orientação pode não apenas ser ineficaz, como atrasar o diagnóstico correto.
Cuidar da saúde do cabelo começa de dentro para fora. Alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento médico quando necessário fazem toda a diferença.
Mais do que estética, o cabelo também é um reflexo do funcionamento do nosso organismo.
E, no fim, talvez a melhor forma de encarar essa fase seja com entendimento e menos ansiedade.
Assim como as estações mudam, o corpo também se adapta.
Nem toda queda de cabelo é doença — mas toda queda merece atenção.
