Osasco avança na criação de Plano de Enfrentamento à Violência contra a Mulher
A cidade de Osasco avançou na criação de um Plano de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que deverá estabelecer procedimentos, metas e ações permanentes de prevenção, acolhimento e proteção. A iniciativa foi discutida durante o 2º Fórum Combate à Violência contra a Mulher, realizado na quarta-feira (26), na Sala Osasco.
Promovido pela Câmara Municipal de Osasco, por meio da Procuradoria Especial da Mulher, em parceria com a Prefeitura, o encontro reuniu representantes do Legislativo, do governo municipal, do Ministério das Mulheres e mulheres engajadas na defesa dos direitos femininos.
Durante o fórum foram debatidos temas como diagnóstico da violência contra a mulher, funcionamento da rede de proteção, fluxos de atendimento, prevenção, capacitação, governança e financiamento de políticas públicas.
A procuradora-chefe da Procuradoria Especial da Mulher, vereadora Elsa Oliveira, destacou que o trabalho iniciado na primeira edição do fórum, em 2025, precisa resultar em uma política pública permanente.
“A violência contra a mulher é um problema coletivo. É uma chaga social que exige a articulação de toda a rede de proteção”, afirmou.
Grupo de trabalho será criado
Ao final do encontro, Elsa Oliveira anunciou a criação de um grupo de trabalho e planejamento responsável por definir metas e ações para a elaboração do Plano de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.
O diagnóstico e o planejamento serão conduzidos pela Secretaria de Planejamento em parceria com outros órgãos municipais. A assinatura do pacto deverá ocorrer posteriormente no gabinete do prefeito Gerson Pessoa, em data ainda a ser definida.
O documento será estruturado em cinco eixos: acolhimento inicial e urgência; acolhimento psicossocial; orientação jurídica e garantia de direitos; apoio aos familiares; e prevenção, educação e formação profissional.
Osasco registrou 25 mulheres assassinadas entre 2019 e 2025
Um dos pontos de destaque do fórum foi a apresentação de dados sobre a violência contra a mulher em Osasco.
No primeiro painel, conduzido pela assistente social Bruna Sampaio e pelo secretário de Planejamento, Juliano Duarte Vieira, foram apresentadas informações que apontam altas taxas de feminicídio. Entre 2019 e 2025, 25 mulheres foram assassinadas no município.
Os dados foram apresentados apesar da redução de 31% nos homicídios dolosos e de 39% nos roubos registrada no período analisado.
Guardiã Maria da Penha acompanha 150 mulheres
A rede de atendimento e proteção também esteve no centro das discussões. A psicóloga Lenilda Lira Barbieri apresentou os diferentes tipos de violência contra a mulher, além dos dispositivos legais e equipamentos públicos disponíveis.
Representante do programa Guardiã Maria da Penha, a CD Amanda informou que mais de 500 mulheres foram atendidas desde 2020.
Atualmente, cerca de 150 mulheres são acompanhadas pelo programa, sem registro de feminicídio entre as assistidas, segundo as informações apresentadas durante o fórum.
Outros painéis discutiram prevenção, educação e cultura de não violência, além de governança e financiamento. O encontro também apresentou a experiência de Franco da Rocha na implantação de um plano municipal de enfrentamento e contou com a participação da articuladora territorial do Ministério das Mulheres, Mariana Tauil.
A expectativa é que as discussões sirvam de base para consolidar em Osasco uma política integrada e permanente de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
