CIOESTE promove curso de prevenção à violência digital contra mulheres e meninas

A violência contra mulheres e meninas também pode acontecer no ambiente virtual. Para ampliar a prevenção e preparar profissionais para identificar essas situações, a Escola de Governo do CIOESTE realizou nesta quarta-feira (9) uma formação sobre violência digital contra mulheres e meninas.

O curso foi ministrado pelo perito digital Michel Spiero e reuniu representantes dos municípios, terceiro setor e profissionais das áreas do Direito e da Justiça.

A atividade foi conduzida por Solange Aroeira, coordenadora interina da Câmara Técnica da Mulher do CIOESTE e secretária das Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade de Cotia.

Segundo Solange, a proposta foi apresentar ferramentas para identificar situações de violência digital, ampliar a prevenção e orientar vítimas sobre formas de proteção.

“Este é um espaço de troca e uma conversa esclarecedora sobre riscos que já fazem parte da vida de muitas pessoas”, afirmou.

CIOESTE destaca importância da atuação regional

Na abertura da formação, o secretário-executivo do CIOESTE, Jorge Lapas, destacou o papel da Escola de Governo como espaço de capacitação e construção conjunta de soluções entre os municípios.

Ao abordar os avanços do Consórcio em diferentes áreas, Lapas citou a integração das Guardas Municipais e das polícias em operações realizadas nas divisas entre as cidades.

Também destacou a implantação de uma central de monitoramento no edifício-sede do CIOESTE, que deverá reunir Guardas Municipais, agentes de trânsito e equipes da Defesa Civil, ampliando a atuação integrada na região.

Stalking e exposição de imagens estão entre formas de violência digital

Durante a capacitação, Michel Spiero explicou diferentes maneiras pelas quais a violência pode se manifestar no ambiente digital.

Entre as situações abordadas estão a divulgação de imagens sem consentimento, exposição, humilhação, ataques à reputação e stalking, caracterizado por comportamentos de perseguição e controle da vítima.

O especialista também tratou do aliciamento de crianças e adolescentes no ambiente digital.

As consequências dessas práticas podem ultrapassar as telas e provocar medo, isolamento, sofrimento emocional e sensação constante de vigilância.

Por causa da relação entre violência digital e saúde mental, a formação também integrou a programação do Setembro Amarelo.

Especialista orienta cuidados nas redes sociais

Entre as medidas apresentadas durante o curso está o cuidado com a exposição excessiva da rotina nas redes sociais.

A orientação é evitar a divulgação da localização em tempo real e a publicação de imagens que permitam identificar ruas, escolas, academias, uniformes e outros detalhes relacionados aos locais frequentados pela pessoa ou por familiares.

Outras recomendações incluem:

  • utilizar senhas fortes e diferentes;
  • ativar a autenticação em dois fatores, especialmente no e-mail principal;
  • manter aplicativos e sistemas atualizados;
  • utilizar bloqueio de tela nos dispositivos;
  • revisar periodicamente permissões de localização;
  • verificar configurações de privacidade das redes sociais e aplicativos.

Debate também abordou feminicídio

Durante o encontro, a assistente social Letícia Martins apresentou dados sobre a violência contra as mulheres no país. Segundo as informações apresentadas na formação, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, uma média superior a quatro mortes por dia.

Ela ressaltou que as transformações na forma como as pessoas se comunicam exigem também novas estratégias de prevenção e proteção.

“Embora o encontro tenha como foco mulheres e meninas, a segurança no ambiente digital diz respeito a toda a sociedade”, afirmou.

Também participaram do encontro Alexander Brenner, especialista em Direito Digital e violência contra crianças e adolescentes, e Raquel Loureiro Pina, representando o Poder Judiciário de Cotia.

A proposta do CIOESTE é que os profissionais capacitados multipliquem as orientações em seus municípios, contribuindo para que mais pessoas consigam reconhecer os primeiros sinais de violência digital e buscar acolhimento e ajuda.

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