Café com Libras reúne comunidade surda de Barueri e destaca empreendedorismo
A comunidade surda de Barueri participou, no dia 25 de setembro, de mais uma edição do Café com Libras, promovido pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD). O encontro mensal teve como tema o empreendedorismo surdo e apresentou histórias de pessoas que encontraram no trabalho autônomo uma alternativa para superar barreiras profissionais e construir seus próprios negócios.
Realizado sempre na última sexta-feira de cada mês, o Café com Libras promove momentos de convivência, troca de experiências e aprendizado. A edição de setembro também fez referência ao Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro.
Empreendedorismo antes da Lei de Cotas
Uma das histórias apresentadas foi a de Clara Maria Araújo, de 70 anos, moradora de Fortaleza (CE). Na década de 1970, diante das dificuldades para ingressar no mercado formal de trabalho, ela encontrou no empreendedorismo uma oportunidade.
Clara passou a produzir e comercializar um material com o alfabeto em Libras em diferentes regiões do Brasil. Com o dinheiro obtido nas vendas, conseguiu comprar seu primeiro carro. Anos depois, voltou a empreender com a venda de produtos como canetas, chaveiros e pequenas bolsas para moedas.
A trajetória foi apresentada aos participantes por sua filha, Clarice Araújo de Brito Silva, intérprete de Libras da SDPD.
“Eu nasci bilíngue, sabendo Libras, e minha mãe é um exemplo a ser seguido. Ela batalhou muito e hoje eu trabalho com Libras e vejo como uma missão de vida”, afirmou Clarice.
Casal transforma empreendedorismo em oportunidade
O encontro também apresentou a experiência de Camila Manfredini e Rafael Manfredini. O casal administra uma empresa de Plataforma 360, serviço de produção de imagens em rotação para casamentos, aniversários, formaturas e outros eventos.
A decisão de empreender surgiu da necessidade de obter recursos para investir nas terapias da filha, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), e, ao mesmo tempo, ter maior flexibilidade para acompanhar sua rotina.
Camila começou estudando sobre empreendedorismo e posteriormente formalizou a atividade como Microempreendedora Individual (MEI). Há aproximadamente um ano e meio no mercado, o negócio reúne cerca de 30 clientes, incluindo oito empresas que contratam o serviço com frequência.
Comunicação e inclusão no atendimento
Camila e Rafael também compartilharam as estratégias utilizadas para superar barreiras de comunicação com clientes ouvintes. Grande parte do contato é realizada por mensagens de texto e, quando necessário, eles utilizam o ICOM, serviço de intermediação por intérpretes de Libras disponível em Barueri.
“Quando tenho dúvida com algum termo em português, a gente usa o ICOM. Peço a tradução por intérprete, detalho todo o atendimento, mando a proposta por escrito e uma apresentação, e fecho o negócio”, explicou Rafael.
Segundo o casal, o contato durante os eventos também desperta o interesse de clientes e convidados pela Língua Brasileira de Sinais.
Incentivo para novos empreendedores
Durante o Café com Libras, o casal incentivou outros participantes da comunidade surda a considerar o empreendedorismo como possibilidade profissional, destacando que não é necessário começar com um grande negócio.
“Você não precisa começar a empreender em coisas grandes. Comece com coisas pequenas”, destacaram.
Além de começar com os recursos disponíveis, Camila e Rafael ressaltaram a importância da capacitação e da busca por conhecimento para transformar uma ideia em uma atividade profissional.
Café com Libras em Barueri
Promovido pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Café com Libras de Barueri acontece na última sexta-feira de cada mês e reúne a comunidade surda para discutir trabalho, cotidiano e outros temas de interesse dos participantes.
