Barueri cria ambiente que simula um lar e dá autonomia à pacientes com deficiência ou traumas

Um ambiente acolhedor com sala de estar, cozinha completa, quarto, banheiro e lavanderia. Essa descrição trata-se de um serviço especializado para pacientes que são atendidos pelo laboratório de Atividades Práticas de Vida (AVP) e Atividades de Vida Diária (AVD) do Centro Especializado em Reabilitação (CER), vinculado à Secretaria de Saúde. Eles simulam ambientes domésticos com o intuito de estimular pessoas com deficiência ou com mobilidade comprometida a resgatarem a própria autonomia.

Todo esse aparato conta com um terapeuta ocupacional que utiliza o espaço como um instrumento de intervenção terapêutico na realização de treinos de atividades diárias e práticas.

“Os pacientes são atendidos de acordo com suas potencialidades e estilo de vida. A escolha das atividades a serem treinadas é definida com base nas demandas do paciente e da família em conjunto com o terapeuta ocupacional de referência”, explica a terapeuta ocupacional Mariane Campopiano Abrahão Silva.

A área simulada é rica em detalhes e busca apresentar situações do cotidiano de forma segura para o paciente.

O ambiente que simula a cozinha, além de geladeira, fogão e pia, possui também gabinetes, gaveteiros, talheres, pratos e tábua de corte. No quarto, onde o paciente treina movimentos de deitar-se e levantar-se da cama, também encontra guarda-roupa e penteadeira. A lavanderia tem tanquinho, varal, ferro e tábua de passar roupa; na sala de jantar tem mesa e cadeiras; a de estar possui poltrona reclinável; além de banheiros com e sem adaptação.

Vida diária
No laboratório de Atividades de Vida Diária são treinadas as ações do dia a dia, como acender as bocas do fogão, de se alimentar, fazer a barba e escovar os dentes; o manuseio de chaves, abrir torneiras, entre outras práticas que são, em alguns casos, adaptadas.

“É possível adaptar uma tábua de corte para um paciente que tem limitação de movimentos em um lado do corpo (no caso de diagnóstico de acidente vascular cerebral), confeccionar engrossadores de talheres e utilizar antiderrapantes embaixo do prato para que o mesmo consiga se alimentar com segurança e precisão”, detalha Mariane.

Vida prática

No caso do laboratório de Atividades de Vida Prática, outras habilidades são englobadas, estimulando soluções como a interatividade social e com o ambiente; a capacidade de utilizar meios de transporte; de utilizar meios de comunicação (telefone, celular, computador e tablet); planejamento e gerenciamento financeiro, cuidados com a própria saúde e a de terceiros, compras, entre outras. De forma gradual, e com direcionamento do terapeuta ocupacional, assim como a realização dos treinos que estimulam a autonomia e a independência do paciente, as habilidades e as dificuldades individuais são respeitadas.

Um passo de cada vez
“Quando o paciente consegue realizar as atividades com segurança e confiança no ambiente simulado, o orientamos e seu responsável quanto à reprodução das atividades no ambiente domiciliar, proporcionando ampliação da autonomia e empoderamento do paciente”, destaca a especialista.

É o caso de Antonio Onofre dos Santos, de 71 anos, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em setembro do ano passado e desde essa época é acompanhado pela equipe do CER no laboratório de AVP e AVD.

“Meu pai já consegue abotoar a camisa e sobe alguns degraus da escada sozinho. Quando ele foi encaminhado para o tratamento, estava na cadeira de rodas, hoje ele já anda com o apoio de muletas e isso para a família foi um grande avanço. O suporte que tivemos foi essencial”, relata a cabeleireira Denise Ane da Silva Santos Torres, filha do aposentado.

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