Veganismo: estilo de vida ganha novos adeptos e consolida negócios

Na década de 40 os ingleses Donald Watson e Elsie Shrigley perceberam que o vegetarianismo não era suficiente contra a exploração e a crueldade com os animais. Isso porque ele restringe-se apenas a eliminar a carne da dieta alimentar. Foi então que a dupla criou a Vegan Society e espalhou pelo mundo uma nova filosofia e estilo de vida, que vai além da questão alimentar: o veganismo. Nessa dieta, qualquer alimento de origem animal fica de fora do cardápio: carnes, ovos, leite, queijos, manteiga, banha e mel, por exemplo.
O estilo de vida vegano também busca eliminar o consumo de cosméticos, maquiagem, medicamentos e produtos de higiene que tenham sido testados em animais e que contenham em sua formulação glicerina animal, cera de abelha e tutano de boi. Jaqueta de couro, casaco de lã, acessórios de plumas e peças de seda também não entram no armário de um vegano. Os produtos que não utilizam insumos de origem animal ganharam espaço e conquistaram além de veganos e vegetarianos. Muitos que comem carne também têm demonstrado interesse pelo estilo. Um levantamento feito pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), realizado por meio da ferramenta Google Trends, aponta que em quatro anos o volume de buscas pelo termo vegano cresceu 1.000% no Brasil. A demanda sobe exponencialmente e ainda é maior que a oferta. Com isso, as oportunidades de empreendimentos nessa área são muito promissoras e devem crescer nos próximos anos.


Antenada, a empresária Janine Poltronieri, que trabalha no ramo alimentício há mais de 10 anos, conta que sentiu necessidade de diversificar seu cardápio porque a procura por menus veganos se intensificou, e tende a se intensificar muito mais. “Há três anos, mais ou menos, a procura por comida vegana ganhou bastante destaque, e eu tive que ampliar nossa oferta. Já tinha me tornado vegetariana por uma questão política, e fui incorporando as receitas no novo cardápio. Hoje tenho duas empresas: o Maria e Maria Gourmet, que atende um público misto, e há um ano abri o Bastiana Comida Afetiva e Vegana”, explica. Inspirada na bisavó Sebastiana, que morava no interior de São Paulo e cozinhava o que crescia à sua volta, Janine pretende migrar para o menu estritamente vegano em breve. “A ideia é, para o ano que vem, atender só com o Bastiana, e trabalhar o mínimo possível com industrializados, oferecer comida saudável, com produtos naturais, sem agroquímicos e de produtores locais, utilizando as PANC’s e com praticamente zero de alimento processado ou ultra processado”, contou. Hoje, seu carro chefe é a moqueca de legumes e a de banana da terra. “Mas os bolos também fazem muito sucesso”, complementa a Chef de Cozinha.

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